A ERA DO ESGOTAMENTO EMOCIONAL

Artigos Assinados | Carreiras e Oportunidades | 24.06.2021
Publicação
A ERA DO ESGOTAMENTO EMOCIONAL
Psicóloga clínica, coach de carreira e consultora em Desenvolvimento Humano e Organizacional.
E-mail: contato@jackelineleal.com.br
POR JACKELINE LEAL

Aqui, na sociedade do desempenho, não existe tempo
para dor, para sentir, para pensar. Estamos sendo todos
levados a agir compulsivamente e, como dizia Mia
Couto (escritor e biólogo moçambicano), há quem tenha
medo de que o medo acabe.
É neste espaço de medo que o capitalismo tem prosperado
há décadas e se ao ler este parágrafo sua identificação for maior
que o seu desprezo, você é mais um entre milhões de brasileiros
que sentem diariamente os impactos da cultura da exaustão,
onde 33 milhões de brasileiros, segundo pesquisas realizadas
pela Isma-BR (International Stress Management Association no
Brasil), sofrem de Bournout, ou seja, estão esgotados mental e
emocionalmente, tendo como causa principal o trabalho.
O distúrbio foi mencionado na literatura médica pela primeira
vez em 1974, pelo psicólogo norte-americano Freudenberger e,
desde então, tem sido muito comum que os tão conhecidos workaholics
(pessoas viciadas em trabalho) sofram do distúrbio, sendo
muito comum a demora no diagnóstico, principalmente, por
sua maior causa de adoecimento ser vista como um dos passos
necessários para quem deseja ter sucesso na carreira.
A síndrome de Bournout também é conhecida como um
distúrbio que se manifesta quando a relação com o trabalho
acaba se transformando em estresse, ansiedade e nervosismo
intensos. Geralmente a pessoa afetada vai aos poucos sendo
levada ao seu limite, físico e/ou emocional, e os sintomas mais
comuns são cansaço, desmotivação e esgotamento. Não é difícil
encontrar pessoas que, junto com o distúrbio de Burnout,
sofram também de depressão, do uso excessivo de medicamentos
e insônia.
Bournout, a doença que virou moda, não mais apenas entre
os grandes executivos, é um convite para que possamos analisar
mais de perto como nós temos nos relacionado com o nosso
trabalho, ultimamente. Mas é preciso ir além. A reflexão é
também um convite para revisar como temos nos relacionado
com o nosso corpo e com os sinais que ele envia diariamente,
os quais compõem uma espécie de mapa que diz como estamos, o
que sentimos e o que precisamos.
Normalmente, autoconhecimento e carreira tendem a caminhar
separados. E não foram poucas as vezes que escutei de colegas de
profissão que levar esta palavra para dentro das organizações daria
ao meu trabalho uma conotação de “consultório de Psicologia”, tendendo
a afastar a “clientela”.
Acolho carinhosamente o aviso, pois o termo está de fato banalizado,
e o pensamento reforça o estilo de vida de uma sociedade
adoecida que prioriza fórmulas prontas a processos robustos para
o crescimento. Sendo assim, é visto como ameaça um jeito de trabalhar
carreira que incentive o autocuidado, a maior consciência
sobre si mesmo, empatia e mais encorajamento, ao invés de críticas,
punições e recompensas, e a culpa em vez da responsabilidade.
Acontece que o assunto vem adentrando os palcos institucionais,
e as empresas têm perdido, para longos períodos sabáticos, profissionais
competentes e que certamente fariam toda diferença nas empresas.
Estamos perdendo para uma doença silenciosa que costuma
premiar os adoecidos com recompensas financeiras e emocionais.
O trabalho é, sem dúvida, um dos lugares que mais colaboram para
a lapidação de quem somos, da nossa identidade. Se permanecermos
cegos a isso, tratando a nós mesmos como máquinas e esquecendo da
nossa reponsabilidade com a nossa saúde mental, falharemos.
Os desafios do mundo moderno não estão nos livros; estão dentro
de cada um de nós. Portanto, deveríamos nos preocupar com
os monstros que desconhecemos e que habitam as angústias e ansiedades
de todos nós.
Nas empresas, assim como na vida, a regra em casos de acidentes
em aviões nunca fez tanto sentido:
“Em caso de despressurização da cabine, máscaras de oxigênio
cairão automaticamente. Puxe uma das máscaras, coloque-a sobre
o nariz e a boca, ajustando o elástico em volta da cabeça e respire
normalmente, depois auxilie a criança ao seu lado.”
Cuidar de você é cuidar do resultado do seu time e da sua empresa.
Lembre-se disso.
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